O diabetes é um problema de saúde pública que pode ter origem ainda na formação do bebê ou ser adquirido ao longo da vida, devido a uma série de negligências com o próprio corpo. Trata-se de uma condição conhecida por muitos, tratada por poucos e que pode gerar complicações graves quando não há o devido acompanhamento.
A palavra "diabetes" vem do grego e significa “passar através”, em referência à micção excessiva. Posteriormente, foi associada a "mellitus", do latim, que remete ao mel, aludindo à urina adocicada. Não à toa, em muitos lares, um dos primeiros sinais da doença ocorre quando pequenas formigas doceiras são atraídas pela substância nas bordas dos vasos sanitários.
Atualmente, há quatro tipos principais de diabetes. O tipo 1 tem origem genética e pode ser identificado ainda na infância ou na vida adulta, sendo classificado como uma doença autoimune. O tipo 2, presente em cerca de 90% dos casos, resulta da resistência à insulina, geralmente associada à má alimentação e ao sedentarismo. Há também o diabetes gestacional, desencadeado por hormônios que bloqueiam a ação da insulina durante a gravidez. Por fim, existe o pré-diabetes, um estado de alerta do organismo que indica alta nos níveis de glicose no sangue e está frequentemente ligado à obesidade e hipertensão arterial.
Os sintomas do diabetes são, em grande parte, os mesmos: fome frequente, sede constante, vontade de urinar várias vezes ao dia, fraqueza, fadiga, perda de peso e até mudanças de humor. Diante desses sinais, é essencial procurar um médico para um diagnóstico preciso e dar início ao tratamento adequado, que deve envolver uma equipe multiprofissional.
O endocrinologista ajusta as medicações, solicita exames periódicos e adapta o tratamento conforme necessário. O educador físico desempenha um papel fundamental ao incentivar a prática de atividades físicas, essenciais para o controle glicêmico. Já o nutricionista elabora um plano alimentar balanceado, ajustando a ingestão de carboidratos, gorduras e proteínas para garantir qualidade de vida e longevidade.
Ignorar esses cuidados pode ter consequências graves. Em muitos casos, o diabetes leva à amputação de membros, principalmente dedos, pés e pernas. Isso ocorre devido à neuropatia diabética, que compromete os nervos, prejudicando a cicatrização e abrindo portas para infecções severas.
Nos quadros mais críticos, a negligência com o diabetes pode ser fatal. Um estudo publicado pelo Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences em maio de 2024 revelou que, somente no Brasil, 28.943 pessoas morreram devido à doença. O Ministério da Saúde registra uma taxa de mortalidade de 59,53 mortes a cada 100 mil habitantes entre 2010 e 2020.
A luta contra o diabetes precisa começar ainda no estágio inicial, o pré-diabetes. Nesse período, quando os níveis de glicose no sangue variam entre 100 mg/dL e 125 mg/dL em jejum, ainda é possível reverter o quadro. No entanto, quando as aferições ultrapassam 126 mg/dL por um período prolongado, o diagnóstico já é definitivo.
Apesar das campanhas e informações disponíveis, ainda há falhas significativas na comunicação sobre a doença. Desde consultas rotineiras nos postos de saúde até a influência da indústria alimentícia, que promove produtos supostamente saudáveis sem transparência sobre seus impactos a longo prazo, a desinformação segue sendo um grande obstáculo.
Além disso, muitos de nós nos rendemos ao "achismo". Sem o hábito de ler rótulos e verificar fontes confiáveis, nos contentamos com o que recebemos pelo celular. "Acho que se eu fizer isso, vai ser bom. Vi na internet, funcionou lá e vai dar certo aqui também." Esse comportamento pode custar caro.
Precisamos mudar nossa postura e dar mais atenção ao nosso bem mais precioso: a saúde. Sem ela, nada mais importa. Vamos realmente colocar isso em risco? Melhor não.